Resenha do texto: Modelos Pedagógicos e Modelos
Epistemológicos
Refletindo sobre modelos pedagógicos e
epistemológicos
Caro leitor, a relação ensino e aprendizagem pode ser
representada por três vertentes, vamos refletir sobre elas ao longo deste breve
texto, esta relação tem seu ápice em sala de aula, o principal lugar de atuação
dos professores.
A primeira vertente é " Pedagogia diretiva e seu
pressuposto epistemológico", o professor se comporta de maneira
autoritária, tendo um monopólio de poder, acreditando que o conhecimento deve
ser "transmitido" ao aluno, o professor enxerga o aluno de cima, como
se ele fosse uma folha em branco, que não tem nada escrito, onde o professor
vai escrever a sua própria verdade absoluta, como se o aluno não tivesse nenhuma
emoção ou sentimento prévio, o ser humano é desvalorizado neste processo, pois
o aluno se torna um objeto na mão do professor.
O professor tem um conceito prévio com relação a
capacidade de seus alunos nessa situação, o docente considera que o aluno não
sabe de nada, aprende somente se o professor ensinar. Ele não pode ter
criticas, criatividade, curiosidades neste relação professor aluno, o aluno
acaba renunciando o seu direito de pensar para se encaixar nesse sistema,
desistindo de sua cidadania e de seus direitos, ele aprendeu que deve se
silenciar, que não deve reivindicar e criticar, neste sistema o professor
jamais aprenderá e o aluno nunca irá ensinar.
Esta linha de pensamento é absurda, pois é imoral o
professor inibir o senso crítico de seus alunos, os alunos respeitam o
professor pois têm medo dele, não é porque o respeitam de fato, o docente deve
exercer seu papel de educador formando criticamente seus alunos,
independentemente de sua área de atuação, deve-se incentivar a capacidade de
raciocínio dos alunos, neste sistema nada disso é possível.
A
segunda vertente é "Pedagogia não-diretiva e seu pressuposto epistemológico",
na concepção de ensino e aprendizagem denominada Pedagogia não diretiva, o
papel do professor é de facilitar a aprendizagem individual dos seus alunos que
já possuem um conhecimento prévio acerca dos conteúdos, ou seja, cabe ao
professor não “transmitir” o conhecimento para os alunos e sim dar
oportunidades para que os mesmos construam o conhecimento. A pedagogia não
diretiva se baseia nas teorias de aprendizagem aprioristas, que postulam o
conhecimento é algo natural e genético, devendo assim ser estimulado e
exercitado, para que seja potencializado.
A
pedagogia não diretiva possui uma grande influencia do liberalismo de mercado e
impossibilita a ação docente direta no ensino, pois os alunos devem trilhar o
caminho do aprendizado de forma autônoma e condena o aluno com dificuldades de
aprendizagem a um determinismo genético de fracasso e de ignorância. A educação
perde assim o seu propósito emancipador.
A terceira vertente é "Pedagogia relacional e seu
pressuposto epistemológico", como tentativa de nova proposta para o
ensino, um professor leva um material para a sala de aula, supondo que os
alunos tenham sobre este, algum significado (específico ou não). Em seguida,
pede-se aos alunos que estes representem livremente o material exposto. A
partir de tal ação, o professor inicia uma discussão.
O
texto nos mostra que este professor realiza tal ação com estes alunos pois
acredita, segundo Piaget, que o conhecimento novo é construído de apenas duas maneiras,
através da assimilação, ou através das “perturbações”, problematizações que
este aluno cria para si.
Tal
professor não acredita no ensino tradicional, em que os alunos são pessoas
vazias, e que ao receberem novos conhecimentos devem iniciar-se da estaca zero.
Este professor se vê como um mediador entre
ele e os alunos, percebe que é possível se utilizar dos conhecimentos que estes
alunos já possuem, para crescimento de novos conceitos. Este professor vê a
criança, o adolescente, e o adulto, seu aluno, como tendo uma história de
conhecimento já percorrida, e não como uma folha de papel branco, pronta para
ser escrita. Segundo Piaget, o sujeito se constrói em duas dimensões, a partir
do conteúdo e da forma, Para ele, a consciência não existe antes da ação do
sujeito, pois a sua consciência é construída pela própria pessoa a partir da
apropriação dos mecanismos íntimos de suas ações.
Portanto,
deve-se levar em conta a bagagem hereditária e o meio social em que este aluno
convive, para que o transmitir de novos conhecimentos seja mais eficaz. Ou
seja, o professor acredita que os alunos sempre são capazes de aprender, mas há
a necessidade de se verificar a estrutural mental do aluno, que está relacionada
com sua capacidade lógica e sua condição prévia para aprender. O professor deve, então, aprender o que cada
aluno já construiu até o momento e, além disso, deve estar atento à dimensão do
conteúdo.
Quando
o aluno tem que aprender algo novo, há um desequilíbrio e exige que o aluno dê
respostas nas dimensões do conteúdo e da estrutura. Neste processo, o professor
e o aluno aprendem simultaneamente, pois ambos ensinam coisas novas um ao outro
todos os dias. Nesse sentido, busca-se superar a figura autoritária do
professor dentro da sala de aula, criando um ambiente fecundo de aprendizagem,
de construção e de descoberta do novo. Na realidade escolar pública brasileira,
essa sala de aula idealizada ainda encontra-se um pouco distante, pois o
professor ainda tem um papel centra e vertical e é tido como o único detentor
do conhecimento e, portanto, o único responsável por ensinar algo, enquanto os
alunos apenas recebem o conteúdo e, teoricamente, aprendem.
Em suma, o autor faz suas
considerações usando quadros para comparação dos modelos pedagógicos citados
durante o texto em que mostra alguns comportamentos em comum de alguns
professores após a greve mudando sua forma de dar aulas, e também expõe sua ideia em relação a formação docente usando-se mais essa crítica epistemológica
explanada no texto.
Por conseguinte, o
autor reforça a ideia de que a formação docente precisa incluir, cada vez mais,
a crítica epistemológica fazendo
comparação da epistemologia genética de Piaget com as teorias de Paulo
Freire em relação aos termos pedagógicos, onde afirma que uma proposta
pedagógica, dimensionada pelo tamanho do futuro que vislumbramos, deve ser
construída sobre o poder constitutivo e criador da ação humana – “é a ação que
dá significado às coisas”. Mas não a ação aprisionada pelo treinamento,
repetição e imposição autoritária.
Contudo, percebemos que o professor
deve pensar sempre em que profissional deseja ser e em que aluno espera formar,
além de que o uso dessa técnica agregaria maior reflexão sobre as técnicas
usadas em sala de aula.